História · 1963 → hoje
A história do Toninho não se conta sozinha. Ela caminha junto com a do Centro de São Paulo e da Galeria do Rock. De um lado, a trajetória de um homem; do outro, a de um edifício que virou símbolo cultural do país. Role para acompanhar as duas linhas.
Inaugura o "Grandes Galerias", na Av. São João, 439 — o prédio que o público batizaria de Galeria do Rock.
Monta um laboratório de fotografia e cria uma empresa pioneira de locação de equipamentos fotográficos.
O prédio ganha ares de "Galeria 24 de Maio" e começa a atrair a cena alternativa da cidade.
Vive de perto a efervescência cultural do Centro de São Paulo.
Torna-se berço do hip-hop paulistano e ponto de encontro dos headbangers.
Lidera os lojistas para salvar o prédio. Enfrenta o tráfico e sofre ameaças de morte para revitalizar a Galeria.
Em declínio, a galeria recebe uma proposta de revitalização que mudaria seu destino.
Lidera reformas elétricas e hidráulicas, segurança, escadas rolantes e a volta das lojas de rock.
Chega a cerca de 450 lojas e se firma como a Galeria do Rock definitiva.
Cria o Instituto Cultural Galeria do Rock, para transformar comércio em cultura e cidadania.
O Centro ganha um polo cultural organizado, com cursos e ações socioculturais.
Participa do roteiro da novela "Tempos Modernos", baseada na Galeria.
A Galeria do Rock entra de vez no imaginário cultural do país.
Cria uma horta orgânica na cobertura do prédio — que vira sala de aula de agricultura urbana.
A agricultura urbana chega ao coração da cidade, na cobertura de um dos prédios mais icônicos de SP.
Segue como psicólogo, palestrante e articulador cultural, unindo cidade e felicidade.
A Galeria segue como berço de contestação, encontro e diversidade no Centro de São Paulo.
O nome “Galeria do Rock” nunca foi oficial: nasceu como apelido do próprio público, à medida que as lojas de discos de rock, punk e metal foram dominando o prédio. Em fevereiro de 1994, a revista Veja São Paulo estampou na capa “A Galeria do Rock — o ponto de encontro das tribos paulistanas”, cravando na cidade o apelido que já corria nos corredores. No letreiro ainda se lia “Grandes Galerias” — mas, para São Paulo, o lugar já era a Galeria do Rock.
Fontes: Veja São Paulo, ed. nº 8, fev/1994 (capa) · Wikipédia · Prefeitura de SP
Nota: datas e marcos baseados em reportagens (ver Mídia). Alguns episódios são relatos do próprio Toninho — pontos marcados como “confirmar” devem ser validados antes de publicar.
Numa época sem redes sociais e sem streaming, os corredores da Galeria eram a rede social da cena. A informação sobre shows, discos e encontros circulava de boca em boca, de loja em loja, de fanzine em fanzine — e o prédio virou o ponto de encontro das tribos paulistanas.
Antes da internet, a comunicação entre as tribos acontecia pelos fanzines — e a Galeria era o lugar onde as pessoas se encontravam, trocavam e se reconheciam.
Fonte: Rolling Stone Brasil
Quando só se ouvia música no rádio e na TV, as lojas de disco da Galeria eram o caminho até o rock, o punk e o metal — do vinil às fitas. A Baratos Afins, no 2º andar, chegou a lançar bandas como Ratos de Porão e As Mercenárias.
Fontes: Wikipédia · Catraca Livre
Hip-hop, skate, piercing, tatuagem: a Galeria foi refúgio dessas culturas quando a cidade ainda as via com desconfiança. Segundo o Instituto, abrigou a primeira loja de skate de São Paulo (quando o skate era criminalizado) e as primeiras lojas de tatuagem da cidade — um berço da contestação, não do gênero, mas da atitude.
Fontes: Instituto Cultural Galeria do Rock · Prefeitura de SP
“Fizemos uma revolução cultural. Transformamos algo que era marginalizado em um fator cultural na cidade.”
— Antônio de Souza Neto, o Toninho · Prefeitura de SP
Inaugurado em 1963, o edifício modernista é projeto do escritório Siffredi & Bardelli e foi erguido pela Construtora Alfredo Mathias. Tem uma marca inconfundível: lajes de curvas sinuosas, aberturas ovais nos pisos e a luz embutida que contrasta com a arquitetura curva da Galeria.
Quando o Toninho assumiu a sindicância, em 1993, a estrutura estava completamente comprometida — da fiação elétrica ao abastecimento de água — e só cerca de 60 das mais de 400 lojas estavam ocupadas. Ele conduziu o restauro que devolveu segurança, iluminação e a integridade do conjunto, preservando as características originais do projeto.
O mesmo cuidado vale para os pisos geométricos e os painéis cerâmicos sobre os elevadores, do artista italiano Bramante Buffoni — composições de inspiração construtivista, tratadas até hoje como o que sempre foram: arte no chão do Centro de São Paulo.